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Artigo do biólogo e doutor em genética, Prof. Cesar Martins, diretor do Instituto de Biociências da Unesp Botucatu, questiona posicionamento do presidente do Brasil frente à pandemia da Covid-19

Em 31 de dezembro de 2019, o sistema oficial de Saúde da China comunica à Organização Mundial da Saúde (OMS) que um grupo de 41 pacientes foi diagnosticado com uma pneumonia misteriosa. 

 

Os casos desta nova síndrome gripal aumentaram de forma vertiginosa na China e sua caracterização identificou um novo vírus – o SARs-CoV2 – como sua causa. A partir do início de 2020, ele rapidamente se espalhou pelo mundo. 

 

Chega ao Brasil em 26 de fevereiro, quando o primeiro paciente foi diagnosticado. Até aquele momento, a população brasileira mantinha-se tranquila, pois a nova gripe parecia algo distante de ocorrência na Ásia e Europa. 

 

No entanto, os casos, acompanhados de um grande número de mortes, aumentaram rapidamente no Brasil, exigindo ações agressivas das autoridades. Infelizmente, o Governo Federal, na figura do Senhor Presidente da República, manteve-se incrédulo e firme na posição de que o problema não passava de uma "gripezinha". 

 

Felizmente, Governos Estaduais e Municipais, na sua maioria, conscientes do problema grave que se avizinhava, tomaram medidas mais duras no combate à pandemia. Principalmente no sentido do distanciamento social. 

 

Embora estas ações positivas tenham feito a diferença, a irracionalidade nas palavras e no comportamento externado pela pessoa do Presidente da República, cada vez mais joga contra, incitando sempre a população a ações contrárias ao que prega instituições do mundo todo. Entre elas a OMS. 

 

As atitudes do presidente em meio à pandemia se tornaram um grande problema para o Brasil, pois discursos sem embasamento e conhecimento de causa no combate ao vírus refletem a comportamentos da população que podem agravar a doença no país.

 

Enquanto o Presidente da República circula pelas ruas, toma cafezinho na padaria, abraça e aperta mãos de apoiadores, como se nada estivesse acontecendo, o país e o mundo enfrentam uma das suas maiores crises, cujo comparativo não existe na história recente da humanidade. 

 

Mas a nação mostra-se maior que a figura do presidente, e instituições de pesquisa e serviços públicos se debruçaram de forma efetiva sobre o problema. Em tempo recorde, agências de fomento abriram editais e laboratórios de pesquisa direcionaram seus esforços na busca por soluções científicas e de enfrentamento da pandemia. 

 

Com um cenário de mais de 10 mil mortes no país, temos que priorizar atitudes conscientes, em consonância aos especialistas na área, e proteger a população contra esse vírus. A vida deve estar sempre em primeiro lugar. 

 

Neste momento, vemos claramente o papel da vasta rede de Educação e Ciência consolidada no Brasil ao longo de décadas, representada pelos institutos de pesquisa e universidades. 

 

Profissionais das diferentes áreas, dentro e fora de laboratórios, na frente da tela dos seus computadores, nas suas salas de aulas virtuais, ao lado da cama de pacientes, ou mesmo sozinhos na sua filosofia, abraçaram a causa humana que a pandemia nos trazia e que exigia ações e reflexões rápidas.

 

É aceitável que exista uma parcela da população desinformada, que não recebeu acesso ao mínimo necessário de princípios de humanismo e educação, e que não entende a gravidade do momento que estamos enfrentando. No entanto, é incabível que uma destas pessoas seja o Presidente da República. 

 

O representante do Estado Brasileiro não pode ser mal educado, ignorante, motivo de chacota mundo afora, e muito menos servir de péssimo exemplo ao nosso povo. O nosso representante máximo não pode fazer desdém à vida, e externar palavras que remetem falta de respeito e solidariedade às pessoas. 

 

Enquanto o país agoniza na crise acentuada na última semana, o Senhor Presidente mostra-se mais preocupado com conchavos políticos cujo desdobramento mostra claro retrocesso na direção da velha política do toma-lá-dá-cá. 

 

Frente a este vírus devastador, a sociedade brasileira tem respondido com tudo que temos de melhor em humanismo, assistência, educação, conhecimento e ciência - um verdadeiro pacto pela vida. 

 

Senhor Presidente, “na política e na vida, ignorância não é uma virtude”. 

 

Não seja nosso maior problema! Junte-se ao povo brasileiro no ataque ao vírus!

 

Cesar Martins, Biólogo e Doutor em Genética e Evolução

Diretor do Instituto de Biociências de Botucatu da UNESP


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